Os circos com animais em Portugal irão sofrer alterações com a entrada em vigor de uma portaria que impede a compra de novos exemplares, a reprodução das espécies existentes e a sua apresentação, dentro de uma certa lista de espécies.
Esta lista integra, por exemplo, animais como tigres, leões, ursos, elefantes, macacos, gorilas, tarântulas e outras espécies de aranhas, cobras venenosas ou exóticas, centopeias, escorpiões, tartarugas, focas, otárias, hipopótamos, avestruzes, crocodilos, entre outros.
Victor Hugo Cardinali, responsável pelo Circo Cardinali, tá muito chateado:
“Esta portaria não foi aplicada em nenhum país da Europa. Fazemos parte da Associação Europeia de Circos e vamos lutar contra esta lei.”, disse Victor Hugo.

Victor Hugo Cardinali: "As alternativas são poucas. Se o circo funcionasse sem eles, até preferia, pois teria menos despesas."
A portaria contém uma lista de espécies animais em que estes só podem estar em parques zoológicos, empresas de reprodução autorizadas e centros de recuperação de espécies apreendidas. Os circos não constam destas entidades.
A Associação Animal, com Miguel Moutinho como responsável, e a Associação Direitos dos Animais saúdam o Governo pela publicação da lei. Também o Sindicato dos Médicos Veterinários aplaudiu a lei que proibe os animais em circos.
Chen, responsável pelo Circo Chen, critica a lei :
“Esta lei foi feita à pressa e em segredo, e surgiu após as eleições. Pode comprometer o futuro do circo uma vez que os animais são a principal atracção dos espectadores, principalmente das crianças”, disse Chen.
O Ministério do Ambiente diz que estas novas medidas têm como objectivo final a conservação destas espécies, bem como o seu bem-estar e saúde dos exemplares. Garante também a segurança, bem-estar e a comodidade dos cidadãos “em função da perigosidade, efectiva ou potencial, inerente aos espécimes de algumas espécies utilizadas como animais de companhia”.
Inspiração: Correio da Manhã, RTP, TSF, A Bola
Alguns vídeos sobre Circos:
- Sofrimento em Circos
- Agressão a Burro no Circo Soledad Cardinali
- Tratamento de cavalos em Circos portugueses
Como defensor dos animais, não poderia estar mais de acordo com esta nova lei. E não queria deixar de responder a algumas das questões que têm sido colocadas na TV, Rádio e outros blogs.
- “É uma hipocrisia esta lei quando há touradas em Portugal”
- Concordo que seja uma hipocrisia. Mas em nenhuma comunidade se evoluiu em todas as suas vertentes, de uma só vez. Quando se aboliu as queimas das pessoas no meio das praças portuguesas, não se acabou logo com a pena de morte. Um passo de cada vez.
- “Há tantos outros assuntos mais importantes para nos preocuparmos”
- Concordo que haja imensos outros assuntos, muitos até bastante mais importantes como a prostituição infantil, tráfego de orgãos, etc. Acredito que por se resolver um problema, não se possa resolver outros. Se este puder ficar já resolvido, melhor.
- Exemplificando, lá por se ter um problema grave de saúde, como ter o vício da droga, não implica que não se coloque um penso numa ferida para diminuir essa dor.
- “Retirarem os animais dos circos vai fazer por acabar com os circos”
- Qualquer actividade que involva o sofrimento, ou abuso, ou domínio sobre animais, não deveria existir, nem que para isso a actividade desapareça. Tal como os touros bravos possam desaparecer se a tourada não existir. Parece que se criam animais para a tortura e só por isso já podem sofrer. No mesmo sentido, se se criassem pessoas para rings de boxe, mesmo que elas não quisessem, então estava tudo bem. Não entendo.
- Muita gente irá voltar aos circos uma vez que preferem apoiar e ver um espectáculo onde não há sofrimento animal, como no meu caso.
- “Que poder têm as pessoas das associações animais para falarem pelos animais?”
- Como as pessoas racionais devem saber, os animais não sabem comunicar de forma clara com os humanos. Daí ser necessário, como espécie competente que somos, protegermos os animais de sofrimentos desnecessários.
- Uma pessoa não pode simplesmente pegar fogo uma floresta e depois vir dizer que as árvores até não se importaram, porque não gritaram nem se mexeram.
- O Estado tem a obrigação moral de defender todos os seres vivos, quer animais, pessoas inclusivé, quer plantas. Por isso há regras relativamente ao abate de árvores, relativamente aos abusos animais e de pessoas, quer estas falem ou não. Criticar associações que defendem seres vivos de maus tratos é, no mínimo, triste.
- “Ninguem se importa com os domadores (patroes) que fazem cumprir a lei com os seus funcionarios que sao tratados, pior que os animais. Que trabalham 10/12 horas por dia, e muitas vezes com salarios em atraso. “
- As pessoas que estão nos seus empregos, como eu estou no meu, têm a possibilidade de decidir. As pessoas podem sair do emprego se assim o desejarem. Podem ir para outro ou ir para o desemprego ou qualquer outra coisa. Os animais do Circo não. Não podem sair dali, não podem inclusivé não fazer determinados truques. São obrigados a estarem num local que não querem e a fazerem palhaçadas a que são obrigados. As pessoas não. Esta comparação entre trabalhadores e animais de circo é ridícula.
- “Se vao acabar com os animais no circo por causa de estarem em cativeiro entao temos de acabar com os jardins zoologicos tb pois os animais estao em situaçao igual ou piores pois estao 24 horas / 7dias por semana dentro de uma jaula ou espaço minusculo… “
- Concordo que os animais que se encontram em locais minúsculos ou em jaulas não deveriam estar. Obviamente. Por isso o Zoo de Lisboa tem feitos esforços brutais em dar melhores condições aos animais. Longe da perfeição, claro. Mas lá por alguns animais do zoo terem más condições, como os gorilas há várias décadas, não implica obviamente que não se melhorem as condições de vida de outros animais.
- Julgo que numa família, se um dos filhos estiver internado numa cama de hospital, não se deve deixar de dar também atenção ao resto da família. A procura de um equilíbrio é fundamental.
- Por isso, julgo que os animais em circo não fazem qualquer sentido e penso também que as condições no Zoo deveriam ser imensamente melhores, fazendo até sentido deixarem de existir.
- “As pessoas quando vão ao circo vão ver tudo mas principalmente os animais que até ver não são maltratados.”
- Este tipo de comentários até me faz rir, para não chorar. Quem não viu ainda animais de circo a serem maltrados ou é cego ou não quer ver. Temos inclusivamente em Portugal, o senhor Victor Hugo Cardinali a picar elefantes nos olhos para executarem tarefas específicas nos seus circos.
- “Definitivamente este pais não é para pessoas trabalhadoras e que gostem de trabalhar, é uma sociedade de desempregados subsídios, quem quer criar empresas e fazer qualquer coisa é sistematicamente perseguido com leis absurdas e cargas fiscais anormais, é uma vergonha para onde esta a caminhar Portugal…”
- Será que pessoas que se dedicam a escrever isto em blogs realmente têm imenso trabalho. E importante, claro. A forma como as pessoas fogem de uns assuntos para outros, é impressionante. Porque algo está mal, não se pode resolver outra coisa. Os problemas para onde estão focadas, são os únicos importantes. Custa a compreender que as pessoas não entendam que isto é uma sociedade e que uns olham para determinados problemas e outros para outros. Uma pessoa que está empregada, é importante que se preocupe com os desempregados. Uma pessoa que não tenha, não queira ou não possa vir a ter filhos, deve estar preocupado e consciente com a necessidade de criação de escolas e do cumprimento de pagamentos dos abono de família. É uma questão de visão geral que certas pessoas realmente não conseguem atingir, com muita pena minha.
- Será que pessoas que se dedicam a escrever isto em blogs realmente têm imenso trabalho. E importante, claro. A forma como as pessoas fogem de uns assuntos para outros, é impressionante. Porque algo está mal, não se pode resolver outra coisa. Os problemas para onde estão focadas, são os únicos importantes. Custa a compreender que as pessoas não entendam que isto é uma sociedade e que uns olham para determinados problemas e outros para outros. Uma pessoa que está empregada, é importante que se preocupe com os desempregados. Uma pessoa que não tenha, não queira ou não possa vir a ter filhos, deve estar preocupado e consciente com a necessidade de criação de escolas e do cumprimento de pagamentos dos abono de família. É uma questão de visão geral que certas pessoas realmente não conseguem atingir, com muita pena minha.
Esta é a minha opinião. E qual é a tua?